Quantas perguntas?

...são necessárias para se chegar a uma resposta?

30.3.07

Readers check list!

Se eu fosse escrever exclusivamente para mim, manteria um diário, e não um blog. Portanto, agradeceria ao meu leitor anônimo se deixasse um comentário...

Para estimulá-lo, deixo uma pergunta: qual o seu livro favorito?

Não desapareça, por favor! Não é necessário informar nome, idade, sexo. ou o que seja. Ficaria agradecido com essa pequena informação, e deixo aqui o nome do meu (para quem não sabe):

O Vermelho e o Negro, de Stendhal.

Fico esperando!

What is and what should never be

Acho que já usei esse título antes para um post, mas vá lá. A frase do Led é incrivelmente boa, e sempre que eu fico com impressões conflitantes a respeito do mundo, penso nela. Apesar do que pode parecer, não se trata de uma dicotomia. Se trata de complementos. Duas faces de uma moeda em eterno giro, um cara-ou-coroa cujos lados se confundem no movimento dos dedos ágeis de um apostador divino.

Eu ia escrever ontem sobre a alegria que foi receber ligações e mensagens de amigos ao longo do dia - gente que eu queria encontrar, mas de quem eu andava (ando) afastado em razão das minhas duas vidas. Fiquei muito feliz em saber que as pessoas de quem eu gosto também sentem saudades, e queria escrever para mostrar isso. Fica listado: Claudia, Bruna, Ítalo, Fred, Letícia! Obrigado pela atenção! Fez o meu dia valer a pena.

Mas outras coisas tb fizeram. Me diverti numa festa com os colegas da Psico (as colegas, verdade, mas tinha dois ou três homens). Conversei sobre assuntos interessantes e acordei relaxado depois de 6h de sono. E machuquei o pé, feio, mas valeu a pena.

O título e a parte contraditória vieram das coisas que eu não fiz e devia ter feito; das coisas que eu fiz e não devia; e das coisas que eu não sei se devia, não fiz, mas continuo tremendamente a fim de fazer. Talvez eu seja julgado por isso um dia (eu mesmo vou me julgar, sem sombra de dúvida), mas cheguei à conclusão de que me sentir bem pode ser mais importante do que estar feliz - no sentido compreensivo de felicidade.

Sou um sonhador, e nem sempre levo a vida tão a sério qt devia. Mas diante de sentimentos fortes e dos meus valores (eu ainda tenho alguns!), não sei ser leviano. Há forças capazes de mexer com meu ânimo, escolhas que tenho de fazer cautelosamente. Há sonhos que são maiores do que qualquer dor ou alegria diária - e lidar com eles, sejam conquistas ou decepções, é ressignificar a própria vida.

28.3.07

Uma menina...

Dallas esperava o vôo das 23h para São Paulo quando ouviu seu despertador tocar dentro da mala. Abriu-a às pressas, desligando o relógio apenas para constatar que ele estava desrregulado e marcava 8h. No saguão do aeroporto, um grande marcador analógico marcava 3h. Ao lado, uma lista de saídas e chegadas repetia a intervalos regulares que todos os aviões estavam atrasados.

Sentado com a bagagem entre as pernas, entretanto, pouco se importava. Ele estava de olho na menina de cabelos negros. Fingia ler uma edição surrada de 1984, tornando a buscá-la por sobre o livro sempre que virava uma página. Fazia 20 minutos que folheava compulsivamente, e somente quando chegou à contracapa percebeu que ela sorria de leve.

Antes que tivesse tempo de pensar numa abordagem, viu a menina se levantar e ir em direção ao único café aberto. Sem dar atenção a nada, levantou-se e se posicionou atrás dela na fila. Como para tomar coragem, aspirou o ar com as narinas abertas e mergulhou no mistério do perfume seco que ela exalava. Se tivesse podido vê-la de frente naquele momento, teria percebido que ela sorria.

Esperou até que ela tivesse feito seu pedido – um expresso duplo – e antes que a atendente registrasse acrescentou: "Outro com chantilly". A menina de cabelos negros se virou meio surpresa, e eles se encontraram face a face numa distância constrangedora. Ainda assim, ela sorriu. "Posso lhe oferecer um café?", perguntou Dallas.

Ela fez que sim com um movimento curto do pescoço, sem deixar de fitá-lo. Trocaram alguns comentários, quase lugares-comuns sobre aeroportos e a maldita crise aérea. Falaram sobre São Paulo e sobre 1984, que ele disse ser um bom livro. Ela mencionou que tinha namorado.

"Pena", acrescentou nosso personagem enquanto parecia perder a vista em um ponto indeterminado do chão. A menina de cabelos negros parou de sorrir.

Nessa hora, o leitor tem a liberdade para imaginar o que se passou dentro da cabeça dela. O narrador continua sem dar ouvidos às perguntas.

Ela o pegou pelo braço e Dallas se virou tão rápido que um arrepio ainda percorria suas costas quando reparou que a menina de cabelos negros tinha voltado a sorrir. "Desculpa, não quis passar uma falsa impressão. Em outra situação, quem sabe..."

A frase ficou no ar, parecendo incompleta em meio aos ruídos do saguão. Antes que algo mais fosse dito, ela estava de costas e se afastava a passos largos. Dallas reconheceu nessa evasão uma mulher interessante, e percebeu então que ela não era tão menina assim. Talvez algo de verdadeiro houvesse pairado entre os dois, e se apenas a situação fosse outra, quem sabe... Se ele tivesse podido vê-la de frente naquele momento, contudo, teria percebido que ela ainda sorria.

24.3.07

sessão descarrego

To botando pra fora e não sei nem o que! Achei que quando começassem as minhas aulas ia ficar tão repleto de conteúdos novos que não teria tempo para as divagações habituais. Achei que poderia calar as perguntas velhas ao encher minha boca de perguntas novas. Não deu...

O pior é que nem as correrias diárias (e sim, tenho corrido horrores para dar conta da facul, das leituras e do trabalho) me livram do "eterno retorno" a esse mundo de lugares-comuns do meu imaginário. Achei que ficaria tentado a escrever sobre algum acontecimento da minha nova rotina, a oferecer sentidos e significações aos que se aventurassem nessas leituras, mas não consigo centrar idéias.

Começo a achar que meu inconsciente é mais forte que eu. Isso deveria ser uma obviedade, mas como desisti faz tempo da coexistência pacífica, concluo agora que, cedo ou tarde, ele vai levar a melhor. E não posso fazer nada. E talvez isso seja para melhor.

Não se trata mais do que sei ou do que penso, das pessoas de quem gosto e das companhias que prezo. O problema é o sentimento, que tenho dissociado e deixado disperso já a algum tempo. Em meio à baderna dos meus dias, ele volta, sempre e sempre, para me dizer que todo o resto deveria estar em segundo lugar. Maldita educação cristã.

23.3.07

ok, I actually think it's funny at times...

Life is a mess

Life is unfair

Life is a joke

But do you see me laughing?

22.3.07

Algo de podre no reino da Dinamarca...

Estava escrevendo no trabalho antes de voltar para casa - três páginas de reflexões dispersas sobre assuntos extremamente pontuais do meu imaginário. Os pensamentos eram familiares, as perguntas também, e sei que esse post sairia parecido com muitos outros se resolvesse levá-lo até o fim como havia pensado inicialmente. Por sorte, cheguei em casa e, diante do computador, passei a assistir uns episódios de Malcolm in the Middle, que eu baixei pela internet.

Não digo que ver televisão seja melhor do que pensar, não conseguiria acreditar numa besteira dessas. Nesse exato momento, contudo, sentir é a palavra de ordem. Quero sentir algo bom, como um abraço ou um carinho, e sei que se me voltar para dentro de mim em busca de respostas não chegarei nessas duas coisas. Sei ainda que não quero me voltar para o mundo de fora sem um objetivo mais claro. Já reuni em minha rotina atividades suficientes para prencher a minha necessidade de conhecimento e cultura. O pouco tempo que me resta será utilizado de outras maneiras, em busca de algo mais. E quando estiver cansado, como estou agora, vou buscar conforto em mundos que não o meu. Afinal, há algo de podre no reino da Dinamarca, e pior do que sentir o cheiro é saber de onde ele vem...

17.3.07

beleza quase infantil

Ontem passei por uma cena de complexa beleza, e queria apenas registrá-lo. No caminho ao Praia de Belas, onde passei no início da tarde, vi uma gorda que me deixou emocionado (não é para rir, ok?). Ela vestia uma saia longa estilo hippie e uma blusa sem mangas de barriga para fora, apesar dos contratempos de ordem anatômica. O volume de seus seios largos parecia aumentar no contraste entre a pele clara e a cor escura da blusa, e a barriga saliente dava a impressão de que ia transbordar por sobre a barra da saia na ondulação de seus passos.

Ela caminhava com uma sacola, provavelmente vazia, em direção ao Zaffari da Fernandes Vieira. Sem razão aparente ou aviso prévio, ela se pôs a correr. Não disparou de vez: deu uma daquelas aceleradas discreta que as pessoas dão quando percebem que estão cinco minutos atrasadas. Tomou velocidade e manteve o ritmo, e a segui com os olhos conforme o trânsito avançava na minha frente.

Não sei porque, mas toda a sua assimetria pareceu dissolvida naquele gesto de impulsividade e deu lugar a uma beleza quase infantil. Ela se tornou em um instante a imagem viva da espontaneidade, moldando sua própria forma em uma coreografia honesta, sem truques. Foi um dos momentos altos do meu dia...

Dedico esse rápido e pequeno post a todas as gordas que correm. Just do It. Vocês me fazem feliz!

Na casa de Heráclito

Desde que retornei à faculdade, voltei a sonhar. Não que tivesse parado, mas agora minhas noites estão mais vivas, agitadas. Às vezes sou visitado por rostos amigos e situações realistas, outras tantas me encontro em meio a fantasias desprovidas de razão e revelações misteriosas cujo sentido ainda preciso traduzir. Um desses enigmas, que essa noite me transpassou feito uma flecha e em cujas águas permanesso submerso, é o tema deste pequeno post...

Da janela do meu quarto podia ouvir o som de um riacho que transpassava o quintal. Ele corria incessante e, não importa onde estivesse, ouvia-o chamar. O som da água me purificava, como um beijo de mãe endereçado aos meus medos e dúvidas. E eu voltava a procurá-lo entre um sonho e outro, e ele estava lá em todos, sempre lá, a correr por entre as muitas facetas do meu imaginário como o rio da minha própria vida, como a lembrar-me de quem sou e de onde vinha, sem no entanto privar-me do prazer de suas metáforas e de seu poder de mudança, pois como nas palavras de Heráclito vinha a ser todavia outro e o mesmo, e eu também era outro e o mesmo enquanto perscrutava esse rio e nele o reflexo longínquo de minha própria essência.

(Se dona MR ler esse post, vai lembrar nas quilométricas frases de Beatrice :)

Hoje respiro apressado e me pergunto onde corre o rio, e como alcançá-lo para mais uma vez admirar seu movimento fluído e enfim mergulhar por completo em suas águas de fria acolhida. Sei que corre ao meu lado, mas ainda não consegui atravessar a janela da minha percepção para nele tornar-me água e então deixar correr a vida com a mesma naturalidade dos que conseguem seguir e sentir e seguir e sentir e seguir mesmo sem saber quem são. Que me entenda quem possa. Vou seguir o som da água...

7.3.07

Eu, que nunca te amei

Entrei no bar e sentei no fundo, alheio aos casais e grupos de amigos que ocupavam quase todas as mesas. Ignorei as conversas e as risadas, ignorei os olhares estranhos e fui à mesa de praxe, cumprimentando apenas o garçon, de quem já me considero amigo. Uma vez acomodado, varri o lugar com os olhos para certificar-me de que não havia ninguém de interessante nas outras mesas e deixei-me tomar pelo prazer da acolhida. Cada vez que entro nesse bar (outrora o nosso bar), é como se adentrasse em casa amiga, recebido pelos braços invisíveis de meus irmãos anônimos.

Era sábado. Pedi uma polar gelada e dois copos, só para disfarçar. Qualquer um que viesse ali uma única vez por semana, depois das 22h, saberia que não esperava ninguém. Desde que nos separamos, prefiro beber sozinho. Afinal, me sentiria mal de levar alguém ali, independente do tempo e da distância que hoje dissolveram o que outrora foi a nossa tórrida relação.

É um gesto besta, e sei que tu não concordaria, mas é mais em respeito a mim do que a ti. Não quero misturar nossas lembranças e minhas aventuras com outras mulheres, não quero deixar que diferentes recuerdos ocupem esse mesmo lugar. Foram 14 meses de uma aventura marcante, e todas as nossas noites ali deixaram marcas mais fundas que as de tuas unhas. Ainda que eu sempre tenha te negado qualquer exclusividade ou garantias, deixo a nossa felicidade fugaz guardada em lugar seguro.

Por sinal, nunca te agradeci pelo bar... Quando nos separamos, cada um seguindo seu próprio caminho, mudei de academia e passei a fazer as compras mais tarde, por volta das 21h. Achei que estava fazendo minha parte, e me sentia feliz em saber que esses pequenos gestos ajudariam a mover a tua rotina sem minha presença. Mesmo que nunca tenhamos tido nada sério, sei que não teria sido justo da minha parte se te obrigasse a me encontrar todos os dias, ou todas as semanas, nessas casualidades cotidianas que quase parecem destino. E fiquei feliz que tu tenhas me deixado o bar, de quem tanto gosto.

Podes imaginar a minha reação, então, ao ver-te no último sábado. Não deixei de notar o teu constrangimento ao cruzar a porta, mas tive dificuldade em assimilar que o fazias mesmo ao risco de encontrar-me ali. Reconheci o homem que te tomava pela mão, um rosto desconhecido e ainda assim marcado pelo convívio freqüente. Ele ia seguro de si, seguro de que te sentarias em sua mesa e provaria da hospitalidade daquele recinto. Tu parecia disposta a correr o risco, claro, mas deve ter sido difícil.

Eu, que nunca te amei, senti algo que se rasgava em meu peito e fiquei sem ar. Eu, que nunca te amei, senti algo que oprimia meus olhos de tal maneira que tive de procurar o chão para não cruzar com os teus. Eu, que nunca te amei, me perguntei como podias chegar assim tão perto, se um dia me amaste, e permanecer de pé, bela e sorridente como nunca.

Levantei e paguei a conta (saí às pressas, antes que tivesses tempo de me cumprimentar). Fugi do local da minha felicidade e deixei-o aos teus cuidados. A felicidade, afinal, nunca foi meu forte. Tu, que um dia soube me amar, talvez pudesse amar novamente. Ali, nesse mesmo bar, te entregarias e amarias a outro, ajudada por um certo desapego e uma honestidade sentimental da qual eu, que nunca te amei, sou e serei sempre incapaz.

3.3.07

O personagem, o protagonista e o narrador

O título deveria bastar para uma reflexão simples, mas todos sabem que quanto o assunto é bom vale se estender.

Estou lendo os contos completos de Sérgio Faraco, livro cujo tamanho chega a ser frustante. São 332 páginas, e fico pensando por que ele escreveu tão pouco. É tão bom que não consigo ler rápido, tenho de degustar cada história, por minúsculas que sejam, e acabo carregando o volume único embaixo do braço à espera de 5 minutos, meros 5 minutos, em que minha cabeça esteja pronta para receber mais um golpe de sua pena. De certa forma, a dialética interna de cada leitura me remete ao livro "Frio", de Paulo Betancur, que apesar de posterior traz a mesma marca: as multiplas facetas da sexualidade enquanto perspectivas/sintomas/reflexos dos dramas internos, da complexidade da alma humana.

Acabo de ler "Três segredos". Literariamente falando, uma pequena gema, polida à perfeição. Regionalismos na dose certa, personagens profundos (ainda que não extensivamente explorados), frases pontuais e um elo entre título-conto que serve ao seu fim. Mas eu fiquei pensando no narrador.

Como em quase todos seus contos até agora, o narrador/protagonista é uma figura humana e complexa, devidamente caracterizada, mas sem nome. Sua identidade está propositalmente incompleta, sempre latente, como que para dizer ao leitor que ainda há o que descobrir (algo como: "Não pense que você conhece meu personagem! Leia mais um pouco primeiro e daí tente tirar algumas conlclusões") e que este algo é universal ("Ele não precisa de nome, poderia ser eu ou você").

Mas mesmo este narrador singular parece sempre guiado por um narrador mais amplo (alguém poderia dizer Deus), que direciona o que há para ser dito e as contradições do rumo que a história assume. Sem esse rumo, verdade, não haveria história. Mas isso não basta.

No contexto da obra, a impressão é que os outros personagens parecem agir feito marionetes, cuidadosamente instruídas para tocar os acordes corretos no coração alheio. Ainda que verossímeis e realistas, ele foram reunidos por um Narrador demasiadamente cauteloso numa plasticidade de simetria incontestável, e isso remete a outra história - a história dentro das histórias, àquilo que, mesmo inconscientemente, o escritor deixou transpassar por sua arte, como uma lágrima acidentalmente vertida sobre as páginas do mais feliz romance.

Confesso que isso me dá arrepios...

2.3.07

1972

Ainda estou tentando resolver a piada do "Um punhado de dólares" pra colocar na matéria do Motoqueiro - não quero parecer excessivamente ofensivo com o Cage, mas que ele merece uma surra depois daquele filme, merece...

Serei levado pelas circunstâncias a mudar de assunto: tenho que escrever sobre o filme 1972 para O Sulito, mi querido periódico. Estou ouvindo Peter Frampton Comes Alive - tentando suprir uma de minhas muitas deficiências culturais em relação à música - e pensando o que há para falar sobre o filme (que parece ter sido especialmente produzido para a Sessão da Tarde e deve chegar às telinhas ainda no ano que vem).

"1972" é entretenimento, isso não há dúvida. Mas vou ter de parar por aqui por que faz 30min que to sentado e não sai coisa alguma!

1.3.07

Por um punhado de dólares

Não vou falar de Eastwood, de western ou de bang-bang. O título é apenas a lista (extensiva e completa) dos motivos que levaram Nicolas Cage a interpretar Johny Blaze no filme do "Motoqueiro Fantasma".

Dito isso, fico pensando no que mais há para dizer sobre o filme... continuo pensando... não, nada...

Além da máscara da imagem, o filme tem pouco a oferecer. O festival de efeitos especiais não consegue esconder a ausência de feitos, mesmo ordinários, nas realizações de Johny Blaze e do seu alterego demoníaco. As mais radicais acrobacias motociclísticas parecem artificiais, bem como os embates entre criaturas fantásticas.

O maior problema, entretanto, está na falta de humanidade. A pobreza de diálogos e idéias que cercam o longa cria uma barreira capaz de impedir qualquer empatia.

Outras produções baseadas em histórias da Marvel, como as séries X-Men e Homem-Aranha, conquistaram o público ao explorar a profundidade dos super-heróis e vilões. Os dramas pessoais de cada personagem – Peter Parker, Magneto, Jane Grey e Wolverine – ofereceram realismo às histórias, sustentando tramas não necessariamente melhores que a do Motoqueiro (entre ser picado por uma aranha genéticamente modificada e assinar um pacto com o diabo, o segundo parece ridiculamente mais poético e significativo).

Os fãs dos quadrinhos, talvez, consigam passar por cima desses defeitos ao projetar nos atores sua própria visão do Motoqueiro. Para os demais, o filme será divertido somente na medida em que se estiver buscando um entretenimento leve, desapegado. E que o dinheiro do ingresso estiver sobrando.